SISTEMAS DE PRODUÇÃO DO URUCUM

Preparo de mudas

          A formação de mudas pode ser realizada por via sexuada (formação de mudas) ou assexuada (enxertia ou estequia). Na formação de mudas por semeadura recomenda-se deixar as sementes em água por um período de 6 a 8 horas, descartando após esse período as sementes que submergirem (FRANCO, 2016).

          O substrato deve ser composto por 3 partes de terra vegetal, uma parte de esterco de curral e uma parte de argila, homogeneizados e transferidos para sacos de polietileno preto de aproximadamente 5 litros.

          Em virtude da dormência das sementes, recomenda-se plantar cerca de 10 sementes por saco. As sementes devem ser colocadas a aproximadamente 1 cm de profundidade, recobrindo-as com o substrato. A rega deve ser diária e, após 30 dias de emergência das mudas, o desbaste deve ser realizado, deixando apenas uma muda por saco. As mudas podem ser transplantadas quando atingirem 40cm de altura o que deverá ocorrer após 30 dias da emergência.

          Na propagação assexuada FRANCO et al (2016), recomenda a enxertia por garfagem de fenda cheia, tanto pelo maior rendimento como pela facilidade de execução. Os porta-enxertos (obtidos por semeadura) devem apresentar diâmetro de 1 a 2 cm a uma distância de 10 cm do colo da planta. FRANCO et al (2008) citam que para isso devem ser escolhidos “grafos a partir de ponteiros de ramos novos eliminando 5 cm da parte terminal dos mesmos. Cada garfo deve possuir duas gemas. abaixo da gema inferior realizam-se dois cortes em bisel, formando uma cunha que será inserida no cavalo a cerca de 10 cm acima do colo”. Segundo ainda o autor é importante que coincida as casca do cavalo e do garfo em pelo menos um dos lados da união dos dois indivíduos. A região da união deve ser amarrada e coberta com plástico visando evitar a desidratação. Imediatamente após o início da brotação o plástico deve ser removido. Após dois ou três meses as mudas já podem ser transplantadas para o campo.

 

Plantio

          A transferência das mudas para o campo deve ser realizada em um período chuvoso. As mudas devem ser retiradas dos sacos plásticos sem a perda dos torrões e transferidas para o local definitivo. Segundo FRANCO et al (2008) é comum a queda das folhas após o plantio, mas a muda se recupera após algum tempo.

          São recomendados diferentes espaçamentos para o cultivo do urucum. Segundo FRANCO et al (2008), o espaçamento recomendado para o cultivo comercial é de 6,0m x 5,0m (seis metros entre as fileiras por cinco metros entre as plantas). Esse espaçamento representa cerca de 333 plantas por hectare com a possibilidade de uma produção de 1000kg a 2000kg de sementes por hectare após o quarto ano. Ainda segundo o autor, produtores do Estado de São Paulo utilizam os espaçamentos 6,0m x 4,0m (com 417 plantas/ha), 7,0m x 4,0m (com 357 plantas/ha) e 7,0m x 5,0m (com 286 plantas/ha).

 

Exigências nutricionais

          O urucum adapta-se a diferentes condições edafoclimáticas, por isso é encontrado em quase todo o território nacional. REBOUÇAS e SÃO JOSÉ (1996) apresentam em sua publicação “A cultura do urucum” que essa cultura se desenvolve melhor em solos profundos, com pH entre 5,5 e 7,0 e boa disponibilidade de cálcio e magnésio.

          Apesar de existirem poucos estudos sobe as exigências nutricionais do urucum, FRANCO et al (2008) cita que a adubação deve contemplar três fases distintas: adubação de implantação; adubação de formação; e adubação de produção. Segundo os autores são recomendadas as seguintes doses:

          Adubação de implantação: 120, 80 e 50 ou 60, 30 e 20 g/cova de P205 para solos com teores baixos, médios e altos de P, respectivamente pelos extratores Resina e Mehlich-1; 60, 40 e 20 g/cova de K2O para solos com teores baixos, médios e alto de K, respectivamente, pelo extrator Mehlich-1; 10-20 g/planta de N;

          Adubação de formação: 60, 40 e 20 de P205 para solos com teores baixos, médios e altos de P, respectivamente pelo extrator Resina; 40-45, 20-30 e 0-10 g/cova de K20 para solos com teores baixos, médios e altos de K, respectivamente, pelo extrator Mehlich-1; 20-60 g/planta de N;

          Adubação de produção: 40, 20 e 10 ou 30, 15 e 10 g/cova para solos com teores baixos, médios e altos em P, respectivamente, pelos extratos de Resina e Mehlich-1; 40-60, 20-40 e 10-20 g/cova de K20 para solos com teores baixos, médios e altos de K, respectivamente, pelo extrator Mehlich-1; 20-50 g/planta de N.

Poda

          A partir do quarto ano, quando as plantas são consideradas adulta há necessidade de poda. A poda facilita a colheita, pois controla o crescimento da planta e incentiva o surgimento de galhos mais produtivos. A poda é feita a uma altura de aproximadamente 1,2 m do solo e a um metro do caule principal (Franco et al, 2008). Alguns agricultores tem como prática realizar a poda de rebaixamento da planta logo após a colheita. 

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